13 junho 2011

Valor da saca de arroz sofre queda de 33,8% em Santa Catarina


O preço da saca de arroz nunca esteve tão baixo nos últimos quatro anos, no Norte de Santa Catarina, calcula o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de SC (Faesc), José Zeferino Pedrozo.
De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o valor da saca teve queda de 33,8% em comparação com o mesmo período de 2010. Chegou a R$ 19 e, por enquanto, não há aumento previsto.

Os preços do cereal nos supermercados caíram 11,05% nos últimos doze meses, segundo o IBGE. A expectativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que neste ano sejam consumidos 12,8 milhões de toneladas no país, 2,4% a mais do que no ano anterior. É a primeira expansão no consumo desde 2006.
Mas a notícia desanima o campo e, em fevereiro, os rizicultores manifestaram sua insatisfação, fecharam a rodovia SC-413, em Massaranduba (SC). O grupo protestou contra o baixo preço da saca, a falta de incentivos do governo federal e a concorrência desleal com países do Mercosul – que possuem livre acordo para comércio.
Na cidade que mais produz arroz no Norte do Estado, Massaranduba, cerca de 800 agricultores se dedicam ao cereal. Neste ano, a categoria já perdeu parte das lavouras com as fortes chuvas do início do ano.
Estima-se que 20% dos 6,5 mil hectares de área plantada foram destruídos pela enxurrada de janeiro, fevereiro e março. Não bastasse o prejuízo, o valor também não ajuda em nada. O preço da saca de 50 quilos chegou a R$ 19,05 em maio. Para se ter uma ideia, no mesmo período de 2010 e 2009, a saca custava em torno de R$ 28. Em 2008, o preço estava ainda melhor, R$ 33,05.
Segundo o agricultor e presidente da Associação dos Rizicultores do Norte de SC, Orlando Giovanella, para pagar o preço da produção, a saca deveria custar ao menos R$ 25,80. O lucro viria com R$ 30. Para piorar, muitos agricultores estão endividados. Conforme Giovanella, cerca de 90% dos produtores da região precisaram recorrer a financiamentos.
Prejuízo
A alternativa encontrada pelo agricultor em Massaranduba, Adolfo Beck, foi buscar outra fonte de renda sem sair do campo. Encomendou mudas de palmeira-real para tentar cobrir o atual prejuízo com a rizicultura. Beck produz em dez hectares apenas duas mil sacas por ano, mas afirma que também sofre com o preço. 
– Ninguém mais consegue se sustentar com o arroz. Desde os grandes agricultores até os pequenos – conta.
Supersafra e importações explicam queda
O preço da saca do arroz despencou por causa do recorde na safra nacional de 2010/2011, 13,462 milhões de toneladas, dois milhões a mais do que no ano passado, de acordo com a Conab.
Outro ponto, segundo o economista e analista de mercado, Luiz Marcelino Vieira, do centro de socioeconomia e planejamento agrícola da Epagri, é que a expectativa para as exportações brasileiras neste ano são de cerca de 600 mil toneladas, quantidade inferior à que deve ser importada de países como Argentina, Uruguai e Paraguai, do Mercosul, que é de um milhão de toneladas.
Para o presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo, o governo federal deveria limitar o acordo de livre mercado.
– Só deveria ser liberada a entrada de arroz se estivesse faltando no Brasil. Não é o caso.
Para ele, “o rizicultor está pagando para trabalhar”. Os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) já informaram que não suspenderão o acordo. A crise é mais extensa no Rio Grande do Sul, responsável por 60% da produção nacional.
Vieira lembra que o governo fez leilões para o escoamento de produto e liberou, em fevereiro, R$ 250 milhões para comprar estoques, por R$ 25,80 a saca. Mas as medidas, não atingiram todos os agricultores. Segundo Pedrozo, a Faesc tenta negociar com o Banco do Brasil adiamento na cobrança de empréstimos.  
– A nova safra começa em agosto e os produtores não têm dinheiro para o plantio.


DIÁRIO CATARINENSE

2 comentários:

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  2. Olá Herbes, desculpe a demora..

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    Com certeza irei retribuir a visita!
    Abraços

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